O brilho dos olhos e a formação do vínculo mãe e filho

 

babyeye

Assim que nascemos, vemos a luz. A mãe quando pari dá a luz. Luz dos olhos teus, que o Vinícius cantou.

Um olhar que brilha, assim que respira pela primeira vez.

Um olhar que penetra, incute na alma os mais nobres e puros sentimentos, que nem mesmo o amor dá conta de explicar.

Um olhar que alimenta, que sacia. Enquanto a mãe amamenta o filho, é ela quem se esbanja com a luz do olhar.

Um olhar que acalma, quando o choro vem. Um brilho que por si só já é colo.

De mãe e de filho.

Um olhar que ri, que gargalha, que tira o ar.

Um brilho que inspira, que desopila, que renova, que rejuvenesce.

E é o olhar do filho que tem música, que canta para a minha alma dormir em paz, enquanto pisca devagar e pesado, esperando o sono chegar.

E é no brilho do seu olhar que eu chorei, quando pude sentir sua vida em minha mãos pela primeira vez. Um olhar de calor, de afago, um abraço recém-nascido.

E um olhar que também se findou, de uma pálpebra que já se fechou, mas cujo brilho jamais irá deixar de acalentar meu coração todos os momentos em que eu pensar em você.

Um olhar de compaixão, quando não me sinto capaz de ser a melhor mãe do mundo para você.

Um olhar de conforto que diz “não desista de mim, sou pequeno e sou assim”.

Um brilho tão ingênuo, tão límpido e claro, mas de uma profundidade imensa… intensa.

Se o cordão umbilical que nos unia foi cortado ao nascer, em seu lugar nasceu uma luz que irradia de seu olhar.

É esse o olhar de que lhe falei, filho, quando olhamos as estrelas, tentando explicar porque no mundo não há amor maior, enfim.

 

Texto publicado originalmente em 29 de junho de 2011

Imagem: http://www.flickr.com/photos/regularjoe/301173246/

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