Na volta, filho, na volta!

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O que Id, Superego e GPS têm a ver com aquele “na volta a gente vai”: Mentirosa é a mãe!

Quando o organismo feminino encontra-se gestando, o processo que dá origem à placenta, ao líquido amniótico e, consequentemente, ao bebê, também dá origem a uma atualização no GPS instalado em nossos cérebros.

Essa atualização fica lá, quietinha, esperando seu filhote atingir a idade de sair para um passeio e pedir absolutamente tudo o que vê pela frente. Da decoração da vitrine de uma loja de sapatos femininos a displays de personagens animados na porta do cinema. Do algodão doce na porta do parquinho ao triciclo de uma criança que também passeia por ali. Do conjunto de brinquedos de praia de um outro molecote ao pipa que um homem aranha em avançado estado de decomposição passa vendendo na beira da praia.

Eu quero! Me dá! Compra!

E vamos driblando. Disfarçando, chamando a atenção dos pequenos para outras coisas.

A capacidade dos pequenos de desejar tudo o que veem é incrível. Na realidade, nós, adultos, também temos esse impulso de desejar (um tal de id), mas um dispositivo chamado superego regula esses nossos desejos malucos. São como aquelas vozes que ecoam na sua cabeça, tipo o anjo e o diabinho te provocando. Você passa em frente a uma doceria e o id, o diabinho, fica falando “que delícia de chocolate, que vai derreter lentamente em sua boca, trazer uma sensação de bem-estar jamais alcançada, um sabor inigualável, que te transportar a um outro espaço-tempo…”, daí chega o anjinho, o superego, rasgando a cena dizendo “esse chocolate é cheio de gordura, vai fazer seu culote crescer dois números, sua celulite vai aparecer com calça jeans. Daí você vai comer um, dois, três pedaços e vai querer mais e mais, até não conseguir mais passar pela porta do banheiro.”

É o mesmo processo que rola naquela hora em que você se lembra o quão grande e recíproco é o amor entre você e seus filhos, quando a casa está uma zona, o arroz queima e as crianças choram juntas. Você deseja fugir para o Marrocos com a roupa do corpo em busca de tranquilidade e privacidade, mas o superego te lembra que seus pequenos dependem de você e que o amor que você sente por eles supera tudo.

Essa bendita voz é aquela que te lembra de colocar legumes e vegetais no almoço, quando na verdade você está com pique só para fazer arroz e ovo frito. É ela que te faz voltar para casa com um kit de pintura infantil e um saco de pipocas no lugar daquela bolsa linda que há tempos você namora.

E é pertinho desse id, ego, superego que mora o GPS. Na verdade não é bem um GPS, mas só o locutor do GPS. O sistema funciona mais ou menos assim: você está no mercado, iluminada pelo superego/anjinho e sua lista de compras. O id/diabinho foi amordaçado, porque você resolveu ir ao mercado com crianças. E elas por si só são ids puros. Você precisa chegar ao corredor de bebidas, mas, no meio do caminho, existe um estande de promoção em que é possível trocar 567 embalagens de biscoito recheado + 59,00 dilmas por um lindo e mini-micro bichinho de pelúcia. Antes que seus filhos avistem tal tentação e comecem a fazer escândalo, o superego ativa o GPS que na hora diz “novo cálculo da rota”, e você muda o trajeto do mercado, passando de novo pelos produtos de limpeza, até chegar nas bebidas.

Outro exemplo, é quando você leva seu filho para fazer um passeio qualquer e logo na chegada existe um ser vendendo um canudo um copinho plástico que fazem algo inacreditável aos olhos de seu filhos: bolhas de sabão! E tudo a módicos 15 reais. A criança, atacada pelo id, ameaça se jogar no chão, e você, incorporada pelo superego, diz que na volta vocês compram o tal treco de bolinhas. E o passeio se dá sem grandes problemas. Até que você se recorda que na saída está lá, o homem vestido de pikachu, tentando te empurrar a felicidade instantênea de seu filho. Daí o tal do GPS é ativado e um novo trajeto é calculado para o retorno. E o risco do chilique infantil é eliminado.

A frase “na volta a gente vai” é uma das grandes saídas que esse GPS oferece às mães nos momentos de apuro. E, acredite, você vai usar esta frase/mentira muito mais do que imagina em sua vida materna.

Confira aqui os outros textos da série!

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4 comments

  1. Eu falo: outro dia, vou pensar, mais tarde…
    mentirosa do C$#@!!!
    bjs

  2. Hahahahahaha….eu acho que eu vim estragada e minha filha, pobre criança, umas das poucas no mundo que acostumou desde cedo a ouvir: não tenho dinheiro pra isso. Tanto que hoje em dia, qdo ela arrisca pedir e ganha na hora, o olho brilha e ela pergunta: sério?

  3. Eu falo: meu dinheiro acabou, ó (enfio a mão no meu bolso), mas quando tiver dinheiro eu compro. Nem sempre cola.

  4. o meu filho está entrando nessa fase, mas a minha sobrinha até um tempo atrás, dizia para minha irmã “Mãe, quando vc tiver dinheiro vc compra?” haha minha irmã q sabe das coisas, eu to patinando já nos primeiros pedidos com olhinhos brilhantes e carinha de inocente :/

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