Mentirosa é a mãe! – Mentiras que as mães contam

 mentiras que as mães contam

“Todo mundo conta mentira”. Não?! Mentirosa é a mãe!!!

Elas dizem que mentir é feio, que o nariz cresce, que nasce rabo, que a criança enfeia. Veja bem: as mães condenam a mentira com base em outras mentiras.

As mães mentem muito: mentem para os filhos, para os outros e para si mesmas.

Na gestação, a gente mente aquele espírito da beleza da gravidez, enquanto, na verdade, estamos nos sentindo imensas, desconjuntadas e mau humoradas, com vontade de matar o primeiro ser que cruzar nosso caminho. Mas colocamos um sorrisão amarelo no rosto e dizemos que está tudo bem.

E quando o bebê nasce, e começam aquelas visitas, é inevitável soltar um “que bom que você veio” para aquele parente distante, quando tudo o que você queria era ficar sozinha com seu filho, suas olheiras e seu cheiro de leite.

Conforme a criança cresce, as mentiras vão ganhando corpo e cabelos. Tem mentira para educar, para disfarçar. Tem mentira para alegrar e fantasiar também.

Afinal, mentir faz parte da natureza humana. Existem razões morais em que a mentira é tolerada, a fim de se evitar conflitos e garantir nossa boa convivência em grupo.  Todo mundo mente, já mentiu ou ainda vai mentir. Mentimos todos os dias, pelas mais diferentes razões.

Mentimos ao dizer que está tudo bem, quando na verdade estamos preocupados com mil coisas. Mentimos que a comida está ótima, só para não chatear que a preparou com tanto carinho. Mentimos estar prestando atenção, quando a cabeça está em outro lugar.

Da mesma forma como mentimos, ouvimos e acatamos diversas mentiras ao longo do dia. Nossa tolerância aos tipos de mentira é proporcional à má-fé sob a qual ela foi inventada. Uma mentirinha sobre a existência do Papai Noel passa, mas uma mentira sobre o cigarro na mala da escola não dá para ser aliviada.

Mentir pelo bem de uma pessoa é aceitável. Mentir para prejudicar alguém pode ser considerado crime. Se não fosse pelas balelas, as crianças não tomariam remédios, os casamentos não se consumariam nem no altar, não existiria a publicidade, as pessoas seriam inconvenientemente sinceras e, convenhamos, assim o mundo seria muito mais chato.

Mentimos para dizer ao vizinho que “está tudo bem, e você?”, para dizer ao pedinte que não temos um trocado, para o marido com a velha desculpa da dor de cabeça. Mentimos para as amigas ao dizer que emagrecemos sem esforço algum, quando na verdade estamos num regime brabo de 4 meses. Mentimos para os filhos para dizer que acabou.

Ora, mas logo as mães, tão puras e sinceras, donas daquilo que chamamos amor verdadeiro. Logo elas vão sair por aí mentindo?

Mentimos, sim! Pela disciplina, pela fantasia, pelo sensacionalismo.

Mas não é bem mentira. É uma omissão, uma historinha.

Peraí!

Está querendo dizer que sou mentirosa?

Mentirosa é a mãe!


A partir de hoje, começo a publicar aqui no blog a série “Mentirosa é a mãe!” sobre essas mentiras que contamos para nossos filhos. Demorei a apresentar esse projeto, porque, convenhamos, não é nada fácil assumir nossas mentiras em público. Espero que vcs se divirtam. Aguardo as críticas, os causos e as mentiras de vcs, claro!

 

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13 comments

  1. Adoro seu blog, Mi! Uma vez eu escrevi sobre as incoerências (http://www.falamae.com/2012/02/maternidade-e-suas-inevitaveis.html) mentira nunca porque eu não conto (cof cof kk)
    beijo querida

  2. Adorei!!! A minha mentira da vez é meio impiedosa. Tipo, se o Benjamin começa a fazer manha, eu falo: mamãe vai embora e não volta nunca mais! Fim da manha. Mãe mentirosa e má.

  3. Sensacional questionamento, Milene. E eu que sempre critiquei as “mentirinhas” que minha mãe contava pra gente me pego hoje fazendo igualzinho.
    Sem dúvida que o mundo super sincero seria muito chato – vide as pessoas super sinceras da vida real.
    Adorei a ideia da série!

  4. Oi,

    Adoro teu blog!
    Sobre as mentiras, é verdade… todo mundo mente, uns mais outros menos, mas todos acabam mentindo para o bem comum das famílias, vizinhos, etc.

    Aguardo os próximos capítulos! 🙂

    Beijo

  5. Diiirce, amei seu blog!!!

    Eu, claro, conto mentiras mas como sou muito ruim de memória procuro evitá-las. Conto mesmo quando é necessário. Não tem nada pior do que contar uma mentira e ser pego porque esqueceu do que tinha dito!
    Mesmo porque, meu marido diz que eu tenho a “Síndrome da Tolerância Zero”. Fico facilmente irritada com perguntas óbvias e tendo a responder com uma verdade inesperada ou com uma mentira absurda. Exemplo:
    “Senhora, tem um trocado pra me dar?” Resposta: Tenho trocado, mas não pra te dar. Se eu quis dinheiro tive que trabalhar, acordar cedo, aguentar chefe mala. Não ficar sentada numa esquina com a mão esticada.
    “Dani (eu), você trocou e alimentou o David (meu filho de 1 ano)?” Pergunta que todo santo dia minha mãe faz quando vem a minha casa visitar o meu filho. Resposta: Não. Precisava? Puxa… nem tinha pensado nisso…

    Isso é considerado mentiras? Maldades? Caso de internação? (A mãe aqui já pirou…) Beijos

  6. Amei seu blog!!
    beijinhos

  7. A minha filha tem “mania” de guardar comida na boca (e fica com aquele bochechão) daí meu marido teve a “brilhante” ideia de apresentar umas fotos do fofão para ela e a gente mente que ele guardava comida na boca e ficou assim ela se borra de medo dele, qdo ela começa enrolar para comer meu marido fala: vamos ligar para o fofão para ele te contar como ele ficou daquele jeito..é maldade mas tem funcionado que é uma beleza…

  8. Rafaela Perdigão

    Oi. Estava procurando algum texto que falasse sobre mães que mentem para a família (a cunhada, as sobrinhas, os parentes colaterais…) sobre o desempenho dos filhos na escola e sobre questões morais. Como por ex. quando a menina(o) começam a namorar e todo mundo sabe o que acontece nessa fase. Mas, a mãe não quer falar nada, se esquiva e não consegue aproveitar a intimidade familiar para expressar suas ansiedades.

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