Mentiras sobre alimentação

picky

Semana passada concedi uma entrevista à Folha de S. Paulo sobre minha dificuldade ao alimentar o pequeno seletivo. Para ilustrar a matéria, um fotógrafo passou a tarde clicando meu filho se recusando a comer coisas saudáveis.

Ele ficou todo apreensivo para saber quando sua foto sairia no jornal e o porquê daquilo tudo.

Então me vi numa saia justa: Não estaria eu reforçando seu comportamento negativo de se recusar a experimentar novos alimentos ao dizer que esse era o motivo das fotos?

Por um momento me arrependi de ter autorizado fazer as fotos.

Além disso, a entrevista me fez refletir sobre alguns pontos:

  • De como eu, desinformada, bati papinha no mixer, e atrapalhei o desenvolvimento do paladar do meu filho.
  • De como eu, enlouquecida por alimentar meu menino, corria fazer outra papinha na primeira negativa. Hoje, com mais “cabeça”, guardo a papinha da pequena e ofereço mais tarde, quando ela se recusa a comer.
  • Será que realmente meu filho come tão mal assim?
  • A genética fala mais alto (marido não come milho, ervilha, palmito, brócolis, abobrinha, couve-flor, verduras em geral, poucas frutas… affão!) ou é possível reedeucar pai e filho?
  • Os pediatras que atenderam meu filho nunca deram muita atenção a essa seletividade. Estariam esses profissionais anestesiados pelas constantes queixas de “meu filho não come” a ponto de generalizarem os casos?

Acaso ou não, a matéria atrasou. E eu matutei como poderia virar o jogo a meu favor.

Daí bateu os cinco minutos da mãe AND psicopedagoga, e inventei de desenhar alimentos saudáveis que meu menino aceita e dar para ele pintar. Então fiz um quadro de incentivo bem simples, e lhe disse que era um álbum de figurinha. Cada dia era preciso comer um legume e duas frutas para completar o álbum de sete dias. Quando ele estivesse completo, meu filho iria até a feira-livre e poderia comprar algo de seu gosto (nas palavras dele, “uma bolacha, uma bala, um pastel, uma cebola…”).

A ideia deu supercerto! Ele comprou um chiclete com uma tatuagem. Pediu um novo “álbum”. E eu, como provedora de alimento que é toda mãe, pude visualizar que meu filho não come tão mal assim. Ele é monótono, mas com incentivo, pode mudar. É preciso respeitar os limites da seletividade dele e focar nas coisas boas que ele topa comer.

quadro

Ontem a matéria foi publicada. E a explicação, para o menino, foi que ele saiu no jornal porque aprendeu a comer diretinho. Sorte ele ainda não saber ler, e eu poder contar essa mentirinha sem culpa. E ele saiu orgulhoso contando para a família que ele come cenoura, espinafre, maçã, cebola…

Missão cumprida? Que nada!

Foi só um passo. Mudar hábitos alimentares não é coisa de quinze dias. São meses de trabalho árduo. Anos… Esperando pela fase da curiosidade.

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23 comments

  1. Ai, que ideia ótima!!! Acho que vou fazer aqui em casa tb. Eu e o João somos meio monótonos, como o seu pequeno, heheheh… Beijocas

  2. Querida,

    Queria que seu post fosse publicado no jornal! pq me fiz as MESMAS perguntas que vc citou aqui quando li a matéria!! Mas, do mesmo jeito, acho que valeu, pois pode ajudar outras mães a identificarem tais questões e procurar o seu caminho para contornar as dificuldades.
    parabéns!

    Um beijo grande

  3. Achei o máximo a idéia do poster! Vou tentar por aqui pra dar uma controlada nas porcarias… Bj

  4. Tenho usado o mixer para as papinhas da minha filha. Não é aconselhável? Já me disseram que também dá para amassar com o garfo ou até usar o espremedor de batatas. Devo aposentar o mixer ?

  5. Milene, eu sempre fui “carimbada” assim, como pessoa que come mal. Mas na verdade eu sempre comi pouco. Legumes não eram minha praia – e até hoje luto para experimentar legumes novos de vez em quando. Quando era criança, meus legumes eram batata (de preferência frita) e cenoura crua ralada. E só. Mas em compensação, verdura eu sempre comi melhor; alface, couve, espinafre, etc e topava provar verduras novas. Frutas eu também comia bem, mas tinha minhas preferências. Estou falando tudo isso pra mostrar que… sobrevivi! rs
    Super normal se preocupar com o seu filho (e seu marido, afinal, a genética conta sim, mas é possível reeducar, só que demooooora e depende da boa vontade da pessoa, enfim), mas fique tranquila e não desista! Essa ideia do quadro foi muito bacana e eu, mesmo não tendo problemas com minha pequena de 3 anos, pensei em adotá-lo (quem sabe pra mim mesma??? rs).

    • Silvia, oq me chateia mais é o fato do meu filho não provar as coisas. E acredito q mantendo minha boa vontade, posso mudar isso nele. Mas sem o apoio do marido, a luta é cansativa. E bom saber q vc está vivinha da Silva! kkkk
      bjokas da Mi

  6. Mi, (posso chamar assim, né?) realmente seria de grande importância que seu filho tivesse o exemplo de “superação” (sim, porque eu sei como é difícil provar alimentos novos…) do próprio pai. Converse com ele, vai que seu marido se rende e adere ao álbum! 😛

  7. Sabe outra coisa que eu me pergunto aqui em casa: é tão ruim assim eles quererem comer as mesmas coisas sempre? Cheguei à conclusão de que, se tem os nutrientes necessários e ele não tá achando ruim, deixa comer as mesmas coisas. Chega uma hora que eles mesmos pedem para mudar…rsrs Mas olha, tinha uma fase na minha gravidez que eu poderia comer estrogonofe todos os dias, por semanas a fio! E vamos nós com nossos filhos seletivos! rs

    Beijos!!

  8. Excelente, Mi!!! Focar no que é bacana, no que faz bem, nas qualidades!!! Adoro quando a gente aproveita a oportunidade para repensar o mundo ao nosso redor!
    Beijão

  9. Milene, que criatividade! Sem dúvida um super incentivo para o seu pequeno. Eu acredito sim que é possível mudar hábitos alimentares, ainda mais de crianças. E o mais interessante de tudo que vc escreveu foi sua conclusão que ele afinal não come tão mal assim, um consolo e um incentivo pra continuar a mudança.

  10. A matéria ficou ótima! E parabéns pela iniciativa de mudar a abordagem, pois pelo jeito esse será o caminho para vcs!
    Bjs

    http://www.inventare.com.br

  11. Olha…. aqui as fases alternam… mas eu sempre tento um novo alimento ou um jeito novo de fazer algo…
    faço uma couve-flor no forno que engana ate o mais seletivo dos pequenos… eles comem e adoram! hehe
    beijao
    Lele

  12. Não é nada fácil alimentar nossos filhos, eles são muito seletivos e gostam de nos contrariar, ainda mais quando percebem nosso desespero. Eu sou nutricionista e passei por poucas e boas com a alimentação da minha pequena, mas o negócio é não desistir.
    A sua ideia foi ótima, do álbum de figurinhas, foi uma jogada de mestre heheheheh….

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