Como ter filhos me fez perder o medo de dentista

dentista

O barulhinho da broca e a aflição de mexer nos dentes são bem menos tensos do que o caos da vida da mãe que fica em casa

Eu sempre tive muito medo de dentista. Não do profissional em si, mas da experiência odontológica. Sentar naquela cadeira toda reclinável foi sempre algo estressante para mim. Chego a precisar de um calmantezinho para aguentar os procedimentos de praxe.

Durante a gravidez, aprendi que os cuidados com os dentes devem ser intensificados. Da gengiva que sangra facilmente à sensibilidade nos dentes. Aprendi naquelas, porque só vou ao dentista quando sinto dor (e isso é feio, muito feio, diiirce!). A conclusão é que tenho um tratamento de canal para cada filho gerado. E não me orgulho nenhum um pouco disto.

Pois meu medo de dentista foi sempre maior. Cheguei até a fazer todo um tratamento dentário, num só dia, sob os efeitos de um delicioso sonífero. Foi a glória: não senti dor, dormi o tempo todo. Recomendo aos odontofóbicos.

Outro conselho meu para os que sofrem de medo de dentista é ter filhos. Não um, mas vários.

Ter 3 filhos me fez perder o medo de dentista.

Não exatamente porque precisamos ser o exemplo para nossos filhos, mostrando diariamente como se cuida da saúde bucal e visitando nosso amigo dentista regularmente. Isso é quase que inato ao ser humano dentado. Mas me refiro ao poder de relaxamento do dentista quando se tem alguns filhos.

Depois do segundo mês do meu terceiro filho, passei a tratar meus dentes, e ir ao consultório é um dos poucos eventos sociais a que tenho ido sem os filhos atualmente. Lá posso conversar sem ser interrompida, ainda que com um tubo de sucção preso à boca.

Leia também: Mentiras para sair sem filhos

Lá posso ficar deitada, com as pernas para cima, relaxando, sem ter que me levantar para limpar alguém que “já acabou”, dar colo a um bebê que chora quando suas costas pedem arrego ou preparar algo para o lanche de alguém que acabou de almoçar. No dentista, eu simplesmente deito e fico imóvel por no mínimo 40 minutos. É ou não é o sonho de toda mãe?

Além disso, o som da broca, aquele barulhinho de dentista, passou a ser música relaxante para mim, no estilo Enya ou barulho de cachoeira. Completamente o oposto de uma casa com 3 filhos, em que um grita, ou outro responde o grito, o terceiro chora, o marido aumenta a TV para ouvir a notícia e você se descabelada tentando entender aquele hospício.

E a broquinha do dentista? Aaaaah, que som maravilhoso! Melhor que birra de criança quando não consegue o que quer, melhor do que ouvir a abertura da Peppa pela 28ª vez no dia, melhor que quando as crianças resolvem montar a própria banda de rock.

Não foi preciso terapia, não precisei de nenhuma “dorgas” para superar meu medo de dentista. Foi apenas a família que me ajudou, a convivência desharmoniosa entre os irmãos.

E abracei apertado minha dentista no último dia do tratamento, como quem abraça o terapeuta no dia da alta. Só que peguei minha bolsinha e voltei para o hospício que mais amo no mundo: minha casa.

 

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One comment

  1. Milene,
    Meus parabéns!!!!!
    Adorei o seu texto… Lindo, engraçado e super sincero!!!!
    Ja disse que você escreve muito bem… e isso é a mais pura verdade…
    Me identifiquei em muitas coisas no seu blog… uma delícia de ler!!!!

    Minha mãe e minha irmã, também, adoraram!!!!

    Estou feliz por alguns motivos…

    Primeiro, por enxergar o tamanho da mulher que existe em você…
    Segundo, por tê-la como minha paciente e saber que não me detesta… rs!
    E, terceiro, por ter ganhado uma nova amiga.

    Parabéns pela iniciativa, pelo seu trabalho e por ser simplesmente você.

    Continue escrevendo, que agente agradece!!!!!

    Um beijo grande,

    Claudia Rezende

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