Mães: O que nos deixa mais fortes?

Mães: somos todas guerreiras

Não importa sua maternagem, todas as mães se tornam cada vez mais fortes com o tempo.

Por favor, não vá revirar os olhos quando eu disser que a maternidade é como vídeo game, e fica cada vez mais difícil. Das noites em claro, passamos para os xixis pelo sofá e pelo tapete. Do desfralde para a alfabetização, adolescência… A coisa vai encrespando, tanto que chegamos a nos achar péssimas mães.

Mas, interessantemente, não vemos tanto conteúdo por aí sobre as dificuldades de se criar crianças com 8 anos, sobre os dilemas da adolescência. Diferente do mundo da primeiríssima infância, que recheia livrarias, faz pipocar blogs e perfis sociais. E não que as mães tenham perdido interesse em seus filhos – tão fofinhos quando bebês. Na verdade, a gente vai se conhecendo, conhecendo os filhos, e parece que o diálogo facilita mais do que qualquer outra fórmula mágica de um blog de mãe.

Os obstáculos cada vez mais desafiadores da maternidade nos fazem cada vez mais fortes e destemidas.

Na verdade, filhos nos tornam pessoas melhores, mas nos fazem passar por obstáculos cada vez mais desafiadores.

E isso é o que nos torna mais fortes, mais destemidas.

Nós, mães, somos guerreiras!

Enjoamos e temos fome, mas não podemos comer tudo o que queremos na gestação.  Temos sono, e não podemos dormir, porque ainda estamos no trabalho. Amarramos nossos sapatos, mesmo com uma barriga gigante entre nossos olhos e nossos pés. Somos guerreiras!

Suportamos cãibras, estrias, coceiras, inchaços, mau humores, medos e aflições por conta de uma vida que nem é nossa.

Dormimos poucas horas, cochilamos sentadas enquanto amamentamos. E consideremos isto um “descansar bastante” para produzir o leite que nutre o bebê. Somos guerreiras!

Suportamos crianças gritando, arrumamos a casa enquanto eles bagunçam, mesmo com uma enxaqueca daquelas. Somos guerreiras!

Brigamos com o chefe, nosso casamento vai mal, as contas e o salário não casam, mas tudo fica de lado porque temos uma maquete sobre a caatinga para ajudar o filho a construir. Somos guerreiras!

Trocamos fraldas, damos de mamar, damos banho, alimentamos, brincamos, inúmeras vezes na vida. Não ganhamos nem um elogio por isso, embora quando os pais façam isso uma única vez, sejam considerados “paizões”. Nós é que somos guerreiras!

Não deixamos de alimentar nossos bebês, mesmo com as dificuldades, como o bico rachado, leite empedrado ou mastite.

Gastamos mais de uma hora preparando o jantar, para receber a recusa de um filho em comer a refeição. E, mesmo assim, não deixamos a criança dormir com fome.

Damos duro no trabalho – seja dentro ou fora de casa – e ainda temos que ter pique para cozinhar, dar banho, brincar, ler um história e fazer cafuné, ainda que nosso desejo seja apenas a cama.

Abdicamos nossos gostos.

Abdicamos nossa vida social.

Abdicamos nossa privacidade.

Mas nos sentimos realizadas, apesar de tudo.

Por isso somos guerreiras!

Não importa se os geramos ou não em nosso ventre, se o parto foi cesáreo ou de cócoras. Não importa o leite, se o pai esteve presente, se a mãe tem ou não ajuda.

Somos todas guerreiras porque nos doamos: o corpo, o tempo, a alma por nossos filhos.

Somos guerreiras, e talvez por isso achamos que as coisas vão ficando mais fáceis com o passar dos anos.

Mas a verdade é outra.

Não é a maternidade que fica mais fácil: é você que ficou mais forte!

A foto que ilustra o post e me faz sentir poderosa só de olhar para ela foi capturada pelo Fernando Reis, que faz um trabalho genial.

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7 comments

  1. Adorei o texto! Somos super guerreiras! Só mão podemos ficar doentes… Tô aqui me arrastando em meio a uma crise de rinite. Mas somo guerreiras!

  2. “Na verdade, filhos nos tornam pessoas melhores, mas nos fazem passar por obstáculos cada vez mais desafiadores. E isso é o que nos torna mais fortes, mais destemidas. Nós, mães, somos guerreiras!” É totalmente isso, sinto a mesma coisa (sendo pai solo, não mãe hahaha)! Nos desenvolvemos mais com desafios cada vez maiores, e acho que isso vale pra tudo, né?

    • Vale para tudo na vida. Mas principalmente para quem acha que se anula por causa de filho. Não há como se anular sendo tão forte. E vc é um cara fora da curva, né! A grande maioria dos pais não exerce a paternidade como deveria, e fica apenas contracenando com a mãe – por comodismo ou por autoritarismo da figura materna.

  3. Ain que lindooo!! Falou tudo!

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