Flacidez na barriga: Será que é diástase?

Flacidez na barriga: será que é diástase?

Aquela flacidez na barriga depois do parto pode ser diástase. Você sabe o que é?

Eu nunca tive barriga. Juro! Posso estar me gabando, mas é do meu corpo. Nunca tive barriga, meu peito é de um tamanho médio e passei 7 vezes na fila do culote. Mas barriga eu nunca tive.

Adorava usar calça baixa quando era “xovem”. Tinha piercing no umbigo. Não chegava a ter tanquinho – até porque na minha época, quando isso tudo aqui ainda era mato, ter a barriga trincada era coisa para fisiculturista apenas. O que eu nunca imaginei é que a maternidade pudesse por um ponto final naquela barriga sequinha. Meu corpo mudou e precisei entendê-lo novamente.

Pode ser diástase
Há 13 anos, eu não tinha barriga, mas também não tinha 3 filhos

Eu já contei aqui no blog como foi descobrir que depois que meu primeiro filho nasceu, minha barriga não sumiu. Eu parecia estar grávida ainda. Depois de 4 gestações, não é de se estranhar que tenha havido algum estrago.

Houve. E o nome disso é DIÁSTASE.

Eu conversei com a personal e coach de gestantes Gizele Monteiro, que é especialista na recuperação do corpo pós-parto para esclarecer sobre essa flacidez na barriga. Segundo ela, a diástase é uma separação dos músculos da barriga durante a gravidez.  Geralmente essa musculatura volta ao normal depois da gravidez, mas, por vários motivos, ela acaba não fechando novamente e deixa a barriga da mulher com um aspecto estufado, flácido e as vezes até parece que é excesso de gordura localizada.

Flacidez na barriga: será que é diástase

Confira como foi nosso bate-papo sobre esse problema muitas vezes considerado apenas uma flacidez na barriga.

Só gestante tem diástase?

Gizele Monteiro – Não! Existem homens e mulheres que por causa da obesidade podem apresentar. Existem casos também de lesões decorrentes de algum movimento ou exercício inadequado que pode fazer a musculatura ficar frágil e instável. No entanto, esses casos são reduzidos quando comparados ao número de ocorrências com a gravidez. O mais comum mesmo é a gestante – mãe apresentar a diástase por causa das mudanças na região.

A diástase é um problema só estético?

Gizele Monteiro – Não! É um caso de saúde da mulher! Se não revertida, ao longo dos anos ela piora e vai cada dias mais comprometendo muitos pontos da saúde da mulher. Há um desequilíbrio geral no corpo que afeta a nossa saúde. O corpo como um todo desde o tronco até o quadril (pelve) ficam comprometidos. A postura altera e não volta, podendo até mesmo levar ao desenvolvimento de uma hérnia de disco, a barriga fica solta e flácida e o quadril tem o períneo enfraquecido e pode levar a perdas e escapes de xixi. Cada um desses pontos podem gerar problemas mais sérios ao longo dos anos e também com as gestações seguintes. Um nova gravidez piora a diástase e cada um desses pontos citados.

 

Como a mulher faz para saber se tem diástase? Os obstetras é quem fazem a avaliação?

Gizele Monteiro  Antes de descobrirem esse nome – diástase – e também que ela é uma das causas da barriga não voltar após a gravidez, as mulheres iam ao cirurgião plástico buscar uma solução para sua barriga. Esse especialidade médica cuida da mulher com procedimentos cirúrgicos, então todo mundo achava que a diástase só seria revertida com uma cirurgia – a abdominoplastia. Faltam profissionais que entendam como trabalhar a recuperação do corpo da mulher após a gravidez e também suas sequelas. Por isso é muito difícil encontrar profissionais para avaliarem e explicarem para mulher o que seu corpo precisa, incluindo os obstetras que também não alertam dos riscos e cuidados para com a barriga na gravidez. O mesmo acontece na fisioterapia. São raros os que sabem como avaliar corretamente a diástase e também recuperar essa musculatura – com ou sem a diástase.

Por isso eu sempre me interessei por essa área e passei a estudar e treinar esse grupo – gestantes e mães. Com os anos de experiência fui selecionando e desenvolvendo um método que tem recuperado o corpo, a barriga e a diástase. A avaliação pode ser feita através de um auto-exame – teste da diástase. Tenho conteúdos gratuitos – e-book e vídeos que explico como a mulher pode fazer esse auto-exame.
Se não conseguir, ela deve buscar com seu próprio obstetra a indicação de alguém que ele tenha confiança em avaliar.

A cinta pós-parto auxilia na volta da barriga?

Gizele Monteiro – A cinta, se usada deve ser feita apenas no pós-parto inicial para o “conforto” da recém mamãe (desde que seja liberada pelo médico, especialmente em casos de cesárea). Digo conforto por que muitas mulheres se queixam de que parece que tudo está solto dentro do corpo. E de fato está !!! Os músculos abdominais nessa fase estão sem função, então a cinta faz essa função por eles. Porém com o decorrer dos dias, também é necessário que esses músculos comecem a reagir.

Mas engana-se quem acha que a cinta fará a barriga voltar. E também irá corrigir uma diástase. Não! Não vai! Usar a cinta por tempo prolongado não irá devolver a barriga e pelo contrário, a deixará os músculos mais fracos e com menos função ainda. Então que houver a recuperação inicial e o conforto começar a ser estabelecido, é importante tirar a cinta e iniciar com exercícios especiais para devolver a funcionalidade dos músculos da barriga.

O trabalho de recuperação da barriga envolve 3 pontos muito importantes: a volta da força muscular da barriga, a melhora e recuperação da postura e a recuperação do períneo. É esse conjunto que irá devolver a posição correta dos órgãos e também a barriga (com ou sem diástase). 

Muitas mulheres fazem de tudo para ter a barriga de volta. Existe algo que piore a situação da diástase em vez de melhorar?

Gizele MonteiroSim, tem vários tipos de exercícios que podem piorar a diástase ou até mesmo desenvolvê-la depois da gravidez.

A diástase é algo fisiológico e biomecânico da gravidez. Há o afastamento natural também chamado diástase, porém essa tende a voltar depois da gravidez. Mas em várias mulheres, há uma diástase que não volta e que tem um rompimento do tecido fazendo com que a barriga fique esteticamente feia e totalmente flácida.

Exercícios como abdominais tradicionais, pranchas, burpees, saltos, corridas, movimentos de impacto como pular corda, deslocamentos rápidos do treinamento funcional, agachamentos com pesos elevados, exercícios do pilates, torções do tronco, entre vários outros exercícios podem piorar o quadro ou até mesmo fazer com que a diástase fisiológica vire uma diástase com rompimento.

Por isso é importante que a volta seja feita com a orientação de um programa especializado para recuperar o corpo, de forma gradativa e com exercícios corretos.


Pensando naquela barriga sequinha que tive, talvez ela não volte daquela maneira, mas quero chegar mais próximo dela, não só pela estética, pela auto-estima, mas pela postura e pela saúde da minha coluna quando eu for mais velha.

A Gizele está me auxiliando neste processo, junto com minha corrida querida e o pilates tão divertido. A boca? Vou ter que dar uma fechada se quiser ver resultado rápido, né?

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