Faz de conta: Você pode estar acabando com o desenvolvimento de seu filho!

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Atualmente há tantos brinquedos disponíveis e tantos recursos para a brincadeira, que o faz de conta
deixou de ser estimulado.

Antigamente se brincava na rua de terra, de subir em árvore, de correr, de pular, de costurar, de inventar brinquedo.

Depois se brincava na rua de asfalto, com os amigos, com os brinquedos que se ganhava no Natal ou no aniversário.

Daí passou-se a brincar nos condomínios, com uma infinidade de brinquedos, campeonatos de vídeo-game, coleções de bonecas, chamadas então de fashion dolls.

Hoje têm-se mais brinquedos do que tempo para brincar. Dá pra se distrair sozinho ou online com o vizinho. O que era instrumento de trabalho virou brinquedo.

Há quem critique essa digitalização do brincar.

Acontece que o brincar reflete a sociedade. A criança brinca para treinar ser adulto.

Não existe tanta necessidade de habilidades físicas hoje em dia. O adulto precisa ser competente digitalmente nos tempos atuais.

Darwin estava certo. Sempre esteve.

O que não está certo, nem nunca esteve, é privar a criança do convívio social com outras crianças. Privá-la do imaginar, do fazer de conta.

A banalização do brinquedo faz isso: castra a criatividade, massifica o faz de conta.

Precisa de um carro, toma. Precisa de um foguete, toma. Precisa de uma panela, toma. Precisa de um castelo, aqui está.

Confira! 10 maneiras de brincar mais com seus filhos

 

Há brinquedos de todos os tipos, para todas as idades, de qualquer qualidade e valor, nacionais, da China, pedagógicos, da moda. Há brinquedos que ensinam, que divertem, que auxiliam no desenvolvimento. E há brinquedos que nada fazem, só servem para brincar.

Na loja é possível encontrar quase tudo de brinquedo. Até as fantasias já estão lá, prontas para serem vestidas.

 

Mas não há caixas de imaginação.

Nossos filhos não sabem criar, travam a brincadeira se não encontram a varinha de condão que transforma uma caixa em prédio, um paninho em vestido de gala, uma meia em bola.

Se lhes falta o quintal, o aplicativo lhes traz uma hortinha feliz com infinitos alqueires. Na falta do brinquedo, os pais buscam tutoriais na internet de como fazer quase tudo.

Mas falta espaço para viajar, espaço para o livre brincar. Às crianças falta a oportunidade de lidar com a frustração, de criar, de imaginar. Isso sim desenvolve a capacidade criativa dos pequenos de lidar com problemas.

O faz de conta foi substituído por atividades que estimulam apenas o raciocínio. Deixamos de lado valores como as relações interpessoais, a superação, a criatividade, a auto-estima. 

É tanta preocupação em ter uma brincadeira pedagógica, uma atividade que ensine algo o tempo todo, que as crianças não sentem necessidade de criar, de improvisar. 

E, se Darwin estiver certo, não viraremos robôs, mas nos tornaremos tão frios quanto. 

 

Originalmente publicado em 8 de outubro de 2012

 

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12 comments

  1. Pura verdadade..meus filhos são super tecnológicos…kkkk

  2. Mi, querida, este post está lindo! faz parte da blogagem do Infancia Livre de Consumismo? se fizer, vc pode taguear com #compartilhebrincadeira pra nosso robô te achar?

    Beijoca

  3. Me lembrei da Sara semana passada, pegando duas borrachas das tampas da minhas panelas de pressão, colocando em nossas cabeças e dizendo que eram coroas, eu era a rainha, ela a princesa…
    Adoro e estimulo sempre a criatividade dela… acho que falta muito disso hoje em dia.

  4. A difícil, mas necessária, arte de saber equilibrar as coisas da vida atual….

  5. Nossa… Estive exatamente pensando sobre essa questão do excesso de brinquedos nessa semana. Seu texto leva a uma ótima reflexão. Obrigada por compartilhar!

  6. as coisas estão mudas

  7. Muito bom, pra não dizer ótimo! E eu penso que a maioria deles são todos de péssima qualidade. Feitos na China, Índia e mesmo no Brasil, que se encontra no mesmo patamar de subdesenvolvimento e mão de obra escrava e/ou muito mal remunerada. São brinquedos "TRASH OU LIXO COMO QUEIRAM" ou mesmo AINDA brinquedos "RISCO DE VIDA" – de uma vez por todas que fique bem claro que nesta frase está implícito o verbo "PERDER", portanto continua sendo risco de vida! Brinquedos que se quebram, destroem-se nas primeiras brincadeiras e devem rigorosamente e imediatamente ir para o lixo sob pena de alguém se machucar severamente, engolir caquinhos, “fura-olhos”, perdendo até suas vidas “COM ESTES LIXOS”. Não sei que fiscaliza? Quem faz seu controle de qualidade antes que entrem na Colônia que não possui regras! Mas que eles entram, eles entram! Enfim suas vendas deveriam ser definitivamente proibidas em todo este pobre planeta. Mas como o sabemos, alguén$ $empre ganham muito com tai$ tipo$ de comércio. Fazer o que! Hoje eu posso dizer que já me encontro bastante cansada de tanto reclamar, não encontrando “ecos” para me ajudar e digo mais, não visto mais camisa alguma do Brasil. Para mim este país transformou-se no maior símbolo de vergonha, corrupção e tudo que não presta. Eu tenho muita vergonha de ter nascido por aqui. Joguei a toalha. Magda Milani, em 04.05.2014.

  8. Perfeito, minha filha é bem assim….só busca Tecnologia com apena 6 anos…..tão difícil impedir!

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