Elsagate: O perigo de não saber o que seu filho assiste na web

elsagate: o que seu filho vê no youtube?

Elsagate: Quando aquele vídeo que você achava bobinho contém conteúdo impróprio

Todos os dias eu libero o celular ou tablet para meus filhos por alguns minutos no dia. Algumas vezes, esses minutos se estendem, por até muito mais do que eu desejo para eles. Mas há horas em que preciso dar conta de algo ou acabo  me concentrando tanto numa tarefa, que perco a noção do tempo. Isso deve acontecer com muitas famílias, acredito (Veja uma atividade lúdica para controlar o uso de eletrônicos em casa).

Outra coisa que também deve acontecer é perceber que, de repente, seu filho não está mais naquele joguinho que você escolheu ou naquele canal do You Tube que você liberou. A internet é a rua e, quando menos percebemos, eles atravessam a rua sem olhar. Às vezes nenhum carro cruzava; às vezes percebemos a freada brusca de uma animação com conteúdo estranho, apelativa ou com conteúdo inapropriado aos mais novos. Mas, invariavelmente, alguns acidentes ocorrem, deixando sequelas nos nossos dados ou, pior ainda, nos nossos filhos, quando o acesso a web acaba se tornando uma interação com um estranho.

A internet é a porta da sua casa para o mundo digital: você deixa seu filho sair sozinho?

Mas algo me chamou MUITO a atenção esta semana: um tal de Elsagate. Vi a hastag no Twitter e depois alguns posts um tanto quanto sensacionalistas. O fato chama a atenção para vídeos com imagens perturbadoras, com relação a sexo e drogas, muitas vezes sutilmente, envolvendo personagens queridos pelas crianças. Basta fazer uma busca usando Elsa, Peppa, Homem Aranha e perceber alguns vídeos um tanto quanto suspeitos nos resultados. De fato, essa conduta já deveria ser de seu conhecimento se você realmente está preocupado em saber por onde seu filho anda digitalmente. E não digo isso apenas sobre filhos adolescentes. É com os pequenos que se ensina a “caminhar” com segurança pelas estradas digitais.

Vídeos impróprios para crianças
Uma busca com o nome dos personagens mais queridos para crianças tem resultados assustadores

Alguns investigadores chegam a cogitar a hipótese de uma rede de pedofilia escondida por trás de canais com milhões de inscritos no YouTube, postando vídeos com o homem-aranha subliminarmente tocando os seios da Elsa, ou a Peppa fumando ou ainda o Hulk espancando o Mickey, aparentando estar nu. O Elsagate foca no fato desses vídeos, por estarem facilmente ao alcance das crianças, fazerem que nossos filhos entendam tais atitudes como algo comum. A conduta exemplar de seus personagens favoritos acaba tornando qualquer tipo assédio imperceptível como algo errado pelas crianças. E a gente, adultos sempre ocupados, acaba nem notando, pois são cenas rápidas, com personagens em situações ingênuas, com uma trilha sonora que a gente reconhece como a de um canal de nossa confiança.

Elsagate: como se proteger

A maneira mais eficaz de evitar que nossos filhos tenham acesso a esse tipo de conteúdo é estar junto o tempo todo em que a criança estiver online. Entretanto, muitas vezes utilizamos as telas como um recurso para termos um pouco de “sossego”. Utilizar plataformas de vídeo infantis mais seguras, como o próprio YouTube Kids, a Netflix ou o Playkids, são formas de ficarmos mais tranquilos quanto aos vídeos acessados – embora o YouTube Kids ainda deixe passar algo, e o conteúdo de Netflix quando não logado no perfil infantil não seja seguro e nem tenha uma senha para bloqueio . Mas conforme as crianças crescem, elas mesmo passam a pedir para assistir a algo que está no YouTube, e quando nos damos conta, elas já estão sozinhas navegando pelos vídeos. O YouTube possui um recurso de bloqueio de conteúdo de adulto, embora alguns desses vídeos perturbadores estejam na classificação livre. Basta você rolar a página de um vídeo até embaixo e mudar o Modo de Restrição para Ativado.

bloquear vídeos impróprios para crianças: elsagate

Para os maiores, que já estão aprendendo a navegar sozinhos, verificar o históricos de vídeos e páginas visitadas é uma atitude bastante perspicaz. Ainda que esteja invadindo a privacidade de seu filho, é uma maneira de protegê-lo e educá-lo sobre segurança digital. 

Vídeos impróprios no YouTube: O que os pais precisam fazer

Em 2012, há 5 anos, a cada minuto, mais de 60 horas de vídeo eram postadas no YouTube. É muito difícil passar o pente fino nesse material todo. Nosso papel nessa jornada toda é fundamental. Sempre que virmos um vídeo com um conteúdo que julgamos impróprio, é possível fazer uma denúncia de uma maneira muito simples. Em todos os vídeos há um botão “Mais…” que leva ao “Denunciar”. Isso vale para vídeos com nudez, com conteúdo sexual, violento, que abuse de crianças, com mensagem terrorista e outras modalidades que ferem a política do YouTube. Foi através desse tipo de denúncia que um casal de pais blogueiros perdeu a guarda do filho após postar uma série de vídeos de pegadinhas que colocavam o menor numa situação de constrangimento. Vale lembrar que a imagem da criança é de inteira responsabilidade dos pais, e uma gracinha que ele faz quando bebê pode se tornar motivo para bullying num futuro próximo.

Imagens perturbadoras, como da menininha grávida estão na primeira página de busca.

Educar para o mundo digital

 Saber o que seu filho vê na web, na TV (como a animação para adultos que está confundindo as pessoas) ou escuta nos app de música é uma maneira de criar vínculos com ele. Alimento, carinho e brincadeira são essenciais para o desenvolvimento de seu filho. Mas nada disso tem valia se não há segurança. E num mundo cada vez mais conectado como o nosso, e mais ainda como será o deles no futuro, educar para o mundo digital é papel fundamental dos pais, como levantar e cair, atravessar uma rua ou tomar o ônibus sozinho.

 

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