Dona de casa agora é CEO em atividades materno-domésticas

ceo

Há algumas décadas, o papel da mulher era trabalhar numa atividade qualquer até ter filhos. Ela trabalhava para ajudar com as despesas, já que o salário de uma mulher não comportava assumir grandes compromissos financeiros. Depois disso, ela se dedicava exclusivamente aos cuidados com a família e a casa. Não havia perspectiva de carreira para a mulher. No máximo, algumas mais despojadas – ou necessitadas – engrossavam a renda pós-maternidade costurando, lavando ou passando para fora. Hoje sabemos que nem toda mulher é feliz em casa. Imagine no tempo da Amélia em que em que a mulher não tinha escolha?

Então queimaram uns sutiãs, e a mulher pode se realizar numa profissão. Daí trabalhar virou obrigação para a mulher. Para ser feliz ela deveria ter uma profissão e ser bem-sucedida nela, além de ter filhos. Foi nessa época que ser dona de casa passou a se tornar algo pejorativo: a mulher que não teve uma carreira brilhante, acabou em casa. Ser do lar se tornou sinônimo de fracasso profissional.

Para algumas mulheres, filhos são tudo na vida: amor, alegria, orgulho, tudo, menos realização. E não há problema nenhum nisso. Pelo contrário. A mulher pode escolher entre ficar o resto da vida dedicada exclusivamente à família ou encarar a dupla jornada em prol da própria felicidade.

Hoje sinto um cheiro de mudança no ar: a mulher tendo liberdade em escolher o que ela quer da vida. Algumas tem dupla jornada, outras optam por não ter filhos e focam na carreira, outras param de trabalhar por alguns anos, muitas acabam ficando em casa por um período indefinido, poucas se assumem donas de casa.

Repito: poucas se assumem dona de casa. Tudo por causa daquela história de fracasso profissional de algumas décadas atrás.

Hoje o buraco é mais embaixo, ou mais em cima, ou mais para os lados… Ser ou não dona de casa é opção, pode ou não ser temporário. A mulher é quem decide.

Entretanto, a depreciação do termo dona de casa tem feito muitas mulheres arrumarem um bico, uma ocupação (remunerada ou não), para que nos cadastros da vida ela não tenha assumir esse fracasso implícito e dizer que é do lar.

Só quem é dona de casa sabe o trampo que é!

Trabalhamos diversas habilidades, ocupamos diversos postos: cozinheira, lavadeira, passadeira, faxineira, babá, educadora, psicóloga, administradora, monitora, encarregada de compras, organizadora, contadora, office-boy, chofer, animadora, costureira, professora, publicitária, analista de logística, economista… A lista é vasta!

Nem todas as pessoas possuem atributos para enfrentar a jornada pesada de uma dona de casa. Por isso cunhei um termo (se é que fui eu que criei isso. Só Bakhtin para dar força nessazóra!):

CEO EM ATIVIDADES MATERNO-DOMÉSTICAS

O termo é phynno, e não dá a impressão de que somos meras donas de casa, fracassadas, fúteis.

CEO quer dizer Chief Executive Office, em português é o diretor executivo de uma corporação.

Ser CEO em Atividades Materno-domésticas é ser a chefe de uma casa, é executar as ações de uma casa e da maternidade, é botar a porra toda de um lar para funcionar!

E ser Chief é ser o cabeça, aquele se destaca pela competência, o que tem o poder de decisão.

Se o jardineiro virou paisagista, o pedreiro virou assessor de engenharia civil, o gerente virou manager, o cabelereiro virou hair stylist, nós, donas de casa, merecemos reconhecimento pelo nosso trabalho – aquele 24X7, sem remuneração, férias ou aposentadoria.

Estamos em 2013, mas ainda tem muita gente que faz carinha de dó quando você diz que não trabalha, achando que você transita do estado “avental sujo de gordura assistindo Sônia Abrão” para o estado “roupinha de grife para se embelezar no salão do shopping às custas do marido”. Já que dona de casa deve ser fútil, não pode ter senso crítico, não pode ter acesso à cultura, não pode ser inteligente.

Chega de nos colocarem para baixo!

Colegas donas de casa, digo, CEOs em Atividades Materno-domésticas, amarrem seus lenços na cara, vamos às ruas dizer quem manda nessas casas!

E saia por aí dizendo para todo mundo que hoje é seu dia: FELIZ DIA DA DONA DE CASA!

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9 comments

  1. Adorei!

  2. Me senti mal por não ter um cargo tão importante "CEO EM ATIVIDADES MATERNO-DOMÉSTICAS". E digo mais, assumir o "do lar" é dar a cara a tapa. Se você for "menas mãe" tá ferrada. Muita gente se metendo em muita coisa. Adorei o texto <3 bjs

  3. “anota aí… é DO LAR!” Era assim que minha mãe me falava para preencher a ocupação dela e é assim, com mucho orgulho que digo que sou DO LAR! Se colocar no papel todas as nossas atribuições e fossemos contratar outra pessoa que fizesse tudo com o mesmo afinco, com certeza teríamos que pagar um salário melhor do que muito CEO por aí..então se alguém perguntar, não tenha vergonha de dizer: sou do lar, e sou imprescindível no meu emprego.
    Ninguém pode te substituir e não há dinheiro que pague nosso trabalho.
    Pronto, falei.

  4. Olha ai Raquel Saccol e Maria Osana Pina!! Achei o máximo!! Somos CEO!!! Bjs

  5. CEO EM ATIVIDADES MATERNO-DOMÉSTICAS ou O PIOR EMPREGO DO MUNDO (se vc não escolheu ser dona de casa e acabou nesse cargo por força das cirncunstâncias). Adoro essa dirce, kkk

  6. Parabéns pelo texto.

  7. Hahaha, amei!!

  8. 👏👏 muito bom! Também sou CEO

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