Crônica exaurida – ou mais do mesmo

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Semana de 32º em pleno inverno. As moléculas corporais já ficam mais exaltadas.

Era dia de pediatra. Só quem tem filho sabe como dia de pediatra é emocionante: mala, carteirinhas do convênio, de vacinação, ficha de peso, pacote de bolacha (esqueci), suco (esqueci), brinquedo (tinha um esquecido na bolsa) e saco, bem grande. Porque deve ter uma matéria na faculdade de Medicina chamada Técnicas e Fundamentos de Atraso.

Meio dia perdido, pedidos de exames, recomendações e algumas pulgas atrás da orelha.

Aproveita a saída e já atualiza a carteirinha de vacinação da mais nova: uma agulhada, um grito, uma facada no bolso e um colo – para a bebê, claro!

Já é hora de mamar, a pequena vai dar escândalo no caminho. Antes de sair, amamenta, no carro, com o ar ligado.

Faz almoço, brinca, faz dormir, não dorme, faz dormir, não dorme, faz dormir, não dorme. Então brinca!

E o calor… Derreteu a fome.

A mãe brinca, chacoalha e resolve meia dúzia de coisas pelo smartphone. Sem ele, precisaria ainda ter ido ao banco e à livraria.

Banho de um, distrai a outra. Tem que ser rápido, senão a chave cai. Cheiro de queimado… Tá pegando fogo? Não? Então segue o barco.

Hoje é dia de futebol do marido. Não tenho assistente. É dia da Mulher-MaravilhaElásticaMísticaPolvo entrar em ação. Podia ser também a Tempestade – tá precisando chover!

Um dorme no prato, a outra chora, eu choro junto. É o caos.

Pede arrego pro marido. Não atende o celular.

Mais quarenta minutos de bravura materno-doméstica, e aqui estou eu, saboreando um insosso macarrão com azeite – a fome passou por cima da gastronomia –, parando de escrever este post no meio para checar se o choro foi de algum filho, se o quarto está menos abafado…

Provavelmente dormirei babando em cima do livro: de fadiga e de fome de poder comer algo saboroso, me deleitar, aos poucos, sem ser interrompida, presença e mentalmente. Fome de um tempinho para mim.


 

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A propósito, segue minha sugestão de leitura:

Não é sopa – Nina Horta | Um livro de crônicas culinárias, acompanhado de receitas bem variadas – das mais familiares às mais requintadas. Leitura deliciosa!

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13 comments

  1. Mi, estava esses dias pensando em vc. Em como estaria, já que ando tão afastada de tudo.

    Te lendo, fui revivendo tempos áureos…eles passaram, mas a correria e esse cansaço ainda não me deixaram. Só mudou mesmo, o modus operandi.

    Beijão

  2. Fica assim não, com o tempo tudo se encaixa, um menino, uma menina, idades diferentes, necessidades diferentes, tenta não fazer as mesmas coisas com os dois, amamenta ela primeiro, senta e come com o pequeno, dá uma canseira nela um pouquinho antes do banho, então assim que ela tomar banho, vai tirar uma soneca, aí dá banho no filhote….. Eu fiz um pouco assim e deu certo, quando elas dormiam a noite, regulei o horário delas juntas, eu tinha um “tempinho” pra usufruir….. só o cansaço que não nos abandona jamais (sem querer de desanimar) bjs 🙂

  3. Nossa é bem por ai mesmo, lendo seu texto fui recordando a época que João ainda era bebê e me lembrando dos dias que a minha janta era o resto da papinha kkkkk
    Não mudou muita coisa não sabe, mais digamos que agora com os dois mais crescidos já me adaptei melhor .
    Força na peruca querida!

    Beijos

  4. Muito bom!! Também passo por isso aqui!!!

  5. Olivia Tsutsumi Ambrogi

    Sinto fome de um tempinho pra mim também…

  6. Nossa, como foi bom ler esse texto e ver que nao sou a única que passa por isso e que sente fome por um tempinho soh pra mim… Obrigada por compartilhar seu dia a dia !

  7. Eu tb foi assim, bem detalhodo. Fique tranquila q vai passar e vc vai ter saudades.

  8. Gente, é bem assim… mas vale a pena cada minuto.amosermãe…

  9. Amei!! É exatamente assim por aqui também! rsrs

    Bjs

  10. Nossa que post LINDO, me identifiquei total… que bom saber que não é só eu que choro!

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