Crianças sentadas ou hiperativas?

É frequente a queixa de pais e professores acerca do excesso de energia das crianças. Nunca se constatou um número tão grande de hiperativos e desatentos como existe hoje. Mas acredito que o número de crianças e adolescentes portadores do distúrbio genético TDAH continua o mesmo. O que aumentou, na realidade, foi o número de sedentários.

E então você me questiona: mas hiperativo e sedentários não são exatamente o oposto? Depende, eu respondo. Se considerarmos uma criança sedentária e uma portadora do distúrbio, sim. Mas crianças sedentárias e crianças ativas sem TDAH para mim é o mesmo.

Antigamente as crianças gastavam sua quota de energia brincando nas ruas, com outras crianças, escalando árvores e muros, jogando bola, esconde-esconde, pega-pega, pula corda, rolimã, pega-ladrão. Hoje a quota de energia é bem maior, pois as crianças se consomem alimentos com mais açúcares e carboidratos (bolacha, salgadinho, refrigerante,…). Em contrapartida, elas não gastam mais energia no dia-a-dia. Elas se movimentam muito menos: vão de carro a todos os lugares, usam o elevador, brincam no espaço confinado dos apartamentos. Sentam-se para brincar a maior parte: brincam de ver TV (sentadas), de mexer no computador (sentadas), de jogar vídeo-game (sentadas).
Toda a energia se acumula, e é na escola, espaço mais aberto, cheio de crianças e estímulos, que elas encontram um lugar para gastar toda aquela quantia de açúcar consumida. Mas não podem. É hora de aula, conteúdo, e elas precisam ficar sentadas.
Para os pais, é muito mais cômodo deixar uma criança sentada em frente a TV, do que ficar de olho enquanto ela se diverte descobrindo gavetas e armários, jogando bola, correndo num parque. É muito fácil deixar a criança assistindo a um DVD portátil numa mesa de restaurante, do que familiares se revezarem nos cuidados e deixarem os pequenos gastar energia.

É, sim, mais prático. Mas na hora de dormir encontra-se um outro obstáculo; a falta de sono. Mas isso é assunto para um outro post.

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