As crianças estão mais espertas: a verdade que você precisa saber

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Na era da informação, temos a impressão de que as crianças estão mais espertas. Mas será que informação é garantia de conhecimento?

Outro dia escutei uma avó falar de seus netos, de certa forma generalizando o comportamento infantil atual. Você também já deve ter ouvido – ou constatado – tal frase:

“As crianças de hoje estão muito mais espertas.”

Mal nascem, já interagem, brincam. Logo aprendem seu idioma e mais algumas palavras em inglês. Antes mesmo de pegar um lápis na mão, já são capazes de interagir com tablets e smartphones. Reconhecem personagens de desenhos com a mesma facilidade que gravam o rosto de tios e primos.

Realmente, as crianças estão mais espertas.

Elas nasceram sob a era do Big Data, em que um grande volume de informação e estímulos lhes é derramado o tempo todo: muitos brinquedos, muitas cores, muitos sons, muitos jogos, muitas possibilidades.

<<Faz de conta: será que você está acabando com a imaginação de seu filho?>>

E como nosso cérebro é plástico, e o das crianças além disso é como uma esponja daquelas de última geração que absorve até a mais minúscula gota, os pequenos são embebidos nesse monte de estímulos.

Entretanto, não falo só por elas. Nós também vivemos esse tsunami de informações: jornal sobre a mesa, TV ligada, o computador avisa que chegou e-mail, enquanto o celular pipocam notificações. Abrimos nosso navegador para checar a conta do banco, mas até lá damos de cara com as notícias do dia, as redes sociais e nosso e-mail. De mensagens engraçadinhas a textos de profunda reflexão em apenas um clique.

Então me questiono: será que toda essa informação que recebemos ao longo do dia vira conhecimento?

Nossas “esponjinhas” absorvem tudo, mas o que fazem com todo o líquido depois?

Mostramos numa frase de impacto nossa opinião sobre tudo no Facebook. É nossa maneira de mostrar que estamos vivos, antenados, ligados. E daí?

Precisamos saber de tudo o que acontece no mundo, na hora extata em que tudo acontece. E isso não adiciona quase nada em nossas vidas.

Para virar conhecimento, a informação tem que nos tocar profundamente, instigar, provocar nossas emoções, nossa raiva, nossa alegria, nossa dúvida.

Caso contrário, é tudo parte de um banco de dados inútil que um dia vai virar arquivo morto, talvez ser consumido pelo alzheimer. Porque entrou, mas não tocou.

É como estar numa sala de aula, ouvir o professor falar um monte de coisas e… O que de fato você aprendeu da aula? Se resume a uma palavra ou dá um livro?

Isso acontece porque recebemos a informação passivamente, não interagimos com ela.

<<Filhos e a falta de lógica do tempo>>

Por que aprendemos a ser mãe sem fazer curso? Porque recebemos um grande número de novos estímulos e buscamos interagir com cada um deles. Com cada chorinho, com cada respiração, em cada troca de fralda. E trocamos informação, discordamos, batemos o pé de nossas convicções.

Veja lá naquele grupo do Facebook cheio de mães: o que realmente você gravou de cada tópico de conversa? Apenas aquilo que lhe serviu de forma prática ou mexeu com suas emoções, seja de modo positivo ou negativo. De resto, virou dado pro arquivo morto.

E agora você está aí, lendo o que eu escrevi, e eu me pergunto: será que estou lhe sendo útil, causando algum tipo de comoção, ou vou apenas ser mais um byte nessa onda de Big Data?

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