Cozinha da Bruxa

Eu achava que cozinhava bem, até ter um filho.

Imaginei que ele adoraria comer panqueca, bolo de chocolate, gelatina, purê de mandioquinha, lasanha… Não tô falando de brócolis, chicória, quiabo, nem peixe ensopado. Tô falando de coisa que criança gosta: bisnaquinha com manteiga, pão com requeijão, melancia, morango com açúcar.

Vejo mil receitinhas, posts de pratos de criança, e quase entro em depressão.

Já deixei passar fome, já deixei comer o que quisesse, já comi na mesa, no quintal, no restaurante, já pedi ajuda pra cozinhar, já levei para fazer compras, já comprei livro de receitas, já fiz escultura com comida, já escondi ingrediente, já briguei, já chorei… Mas, mesmo assim, meu filho não come.

Acontece que meu filhote come basicamente produtos industrializados (bolacha, suco, achocolatado, papinha…). Se for fresquinho, feito pela mamãe, é não na hora!

Almoços e jantares se resumem a arroz, farofa e uma carne ou macarrão na manteiga. Se o arroz muda de cor por causa de um legume que cozinhou junto, lá vem o nariz torto.

Fiz bisnaguinha, cookies, bolo, muffin, tudo para agradá-lo, e nada. O negócio dele é se entupir de conservante, acidulante, espessante, engomante, embromante, chatiante.

Outro dia, coloquei secretamente uma papinha deliciosa dentro do vidrinho da famosa insossa que ele tinha mandado ver na noite anterior. Recebi um sonoro “não gosto dessa”.

Conclusão: eu cozinho mal pra caramba! E nessas o ponteiro da balança há um ano emperrou 14kg e de lá não sai.

O negócio então é eu assumir essa identidade bruxa e fazer jus aos meus dotes, cozinhando patas de aranha, suflê de catota, ensopado de chifre de besouro e musse de casquinha de ferida de sobremesa!

 

15 comments

  1. Nossa! Tem certeza que esse post não é sobre eu e minha filha? Até o peso estacionado é o mesmo, hihi! Eu também já botei fruta batida com iogurte natural dentro do pote de danoninho e não deu certo. Incrível né… Mas misteriosamente de algumas semanas pra cá, depois de mais de um ano vivendo de danone e suco de caixinha, minha filha voltou a comer principalmente sopa de legumes (a carne que coloco no meio foi o chamariz, isso ela sempre gostou). Come menos da metade do que come o irmão de 1 ano, mas pra mim já é uma vitória maior que da copa do mundo. (ah, ela tem 3 anos a completar daqui 15 dias)
    É tão, TÃO bom ver que eu não sou a única, viu?
    Beijos!

  2. Ah, e eu sempre levo minha filha comigo ao mercado, ela me ajuda a preparar, mas a graça mesmo é isso, a comida pronta ela não quer nem provar.

  3. Outro dia alguém comentou lá no grupo que a filha adora nomes nas comidas (ou comidas com nomes)… que tal?
    Experimenta, vai!
    Eu ia propor a do potinho, mas né? Não colou. rs
    Boa sorte, qualquer coisa traz ele aqui para ver o Diogo comendo… vai que…

    • Raquel
      O caso é mais complicado do q parece: já inventei nomes de pratos, chamei amigos p comer em casa, e até na escola ele dá trabalho. É dele mesmo… tô torcendo p essa fase passar logo, viu?!

  4. Milene, vamos lá querida. Te dou um super colo! Até porque tenho uma filha de 3 anos que é igual. Mas veja, o colo precisa começar com uma pensata, ok? Seu filho gosta dos tais acidulantes, conservantes e que tais porque provavelmente você e seu marido deram para ele, certo? Não pense que sou xiita, sei muito bem que criança gosta dessas coisas e que às vezes a gente dá mesmo. Mas o problema está nesse às vezes. Ele não pode virar sempre. E se você saca que a criança gostou da história de industrializados, tem de diminuir mais ainda. Aqui tenho essa pequena que ama açúcar, qualquer doce! Justamente por ver que ela tem essa tendência, diminui muito a oferta de doces. Não é uma briga fácil, ela chora, bate o pé e eu simplesmente deixo chorar. Uma hora ela pára e aceita que antes de comer um doce tem de comer salgado. E que esse doce vai ser pedacinhos de manga.Mas é duro, a criança chora, acaba com a sua paciência, você fica se sentindo a última das criaturas e uma bruxa malvada. Nessas horas é bom ter o apoio do marido para alternar com você.
    E por favor, você não deve cozinhar mal! O que ocorre é que as comidas industrializadas, justamente para chamar mais a atenção e cair no gosto do povo, são mais temperadas, tem cores e cheiros mais fortes. Quem se acostuma com a comida industrializada (crianças e adultos) depois fica achando o arroz com feijão de casa sem graça. Isso é o que deve estar acontecendo com o seu filho. Não sou médica nem nutricionista, mas arrisco um conselho: você precisa mudar o paladar dele, tarefa que já adianto não será fácil. Não tenha medo dele morrer de fome, porque quando tem fome a criança come! Então combine com você mesmo um dia para começar e não dê mais comida industrializada. Comece oferecendo o que ele gosta, como o macarrão na manteiga e o arroz com farofa e carne. mesmo que esse cardápio seja por dias. Outra coisa que você pode fazer para “combater” os industrializados é investir nos temperos. Faça o arroz com um tico mais de sal e temperos do que o normal, o mesmo com a farofa. E a cada dia vá retirando um pouquinho da quantidade de temperos até ele se acostumar com uma versão mais normal. E arrisque colocar outras coisas na comida que ele gosta. Por exemplo, queijo no macarrão com manteiga. Mas esse processo todo é demorado. Uma ideia legal que eu fiz aqui é fazer um diário alimentar da caçula, e consegui ver que mesmo comendo pouco e sem grandes variações, ela tinha os nutrientes necessários. Ter essa visão geral vai te acalmar. E você não imagina como a calma opera milagres! Você também pode conversar com o pediatra sobre a curva de crescimento dele para se acalmar. Minha filha, por exemplo, também pesa 14kh, mas está dentro da curva dela. Como disse, essas informações todas irão te acalmar e você não irá para a hora da refeição tão ansiosa – o que estraga tudo, inclusive o apetite da criança. Ah, e vamos continuar a conversar sobre isso!
    beijão, espero ter ajudado
    Mônica

    • Mônica
      Sabe q eu andei reparando o qto o componente emocional anda atrapalhando as refeições aqui: a chegada da irmã, minha falta de tempo c ele… Enfim: estou tentando observar criticamente meu comportamento tb. Acatei a dica do diário. E no feriado último pacote de bolacha recheada se despediu, assim como guloseimas – q só vão aparecer nas visitas à vovô, num passeio, numa festa.
      E vamos continuando nosso papo.
      Obrigada pela fuerza de sempre! 😉

  5. Mirelle Sabrina Shihadeh

    Bom dia Mimi, não fique em desespero crianca é assim mesmo, concordo com a monica em tudo o que ela diz, comece mesmo pelo que ele gosta e depois va variando, e duvido que vc nao saiba cozinhar… criancas sao assim mesmo… bjus e tudo resolve viu…

  6. Vai uma musiquinha da tia Tati aí, pra complementar o post…

    Hoje a comida é boa
    Tem filé de bode
    Sopa de mosquito
    Salada de bigode
    E de sobremesa
    Mocotó de lesma
    De refrigerante
    Xixi de elefante
    Quem falar, quem falar
    Come a comida
    1,2,3

  7. Mi!!!
    Du-vi-do que você cozinhe mal… Bruxa, você?, só de for do bem!!!
    Não passei esse perrengue com os meus, mas vi de perto minha irmã passando por isso. Durante quase 5 anos, meu sobrinho só comia macarrão na manteiga, nuggests e nada de comidas naturais. Doces e salgadinhos, industrializados? Quase todos!
    Depois de muito pesquisar, descobrimos que ele tinha “seletividade alimentar na criança”, algo mais comum que a gente imaginava, mas pouco diagnosticado pelos pediatras comuns.
    Enfim, ele passou a comer menos quando minha irmã se separou. Quando ela finalmente conseguiu se estabelecer de novo, montar uma rotina, colocá-lo em uma escola com uma abordagem mais natural, ele passou a comer melhor. Ele ainda não come tudo. Mas já come bem melhor. Horas na mesa, super paciência da mana e persistência…
    Talvez seu pequeno esteja somente reagindo à chegada da irmã, porque, conforme a caçula cresce, o espaço dele diminui também… Acho que aí em São Paulo deve ter pediatras mais especializados que talvez possam te ajudar mais..
    Flor, espero poder ter ajudado com algo. Não seja tão dura consigo mesma. Enquanto a alimentação for um assunto que mexa com você, será o meio que ele encontrará para se comunicar…
    Beijinho,
    Sofia

    • O pediatra dele meio q acha q eu só ofereço besteiras – sinto no ar, sabe? Dureza…
      Tb acho q o emocional tá interferindo horrores.
      Vou acompanhando e vou comentar com o pediatra dele sobre esse distúrbio.
      Enqto isso, estamos trabalhando com ele formas de ele se expressar: desenho, pintura, histórias.
      Jokas da Mi

  8. Muito, muito igual o Arthur. A comida dele é: arroz com caldinho de feijão, se vê o grão já reclama… carne (todos tipos) e miojo ou massa… E a culpa é nossa, toda nossa, marido e eu.
    Para o próximo baby vamos fazer tudo diferente… assim espero.

    bjks

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: