Medidas indispensáveis para proteger seu filho de Brincadeiras Perigosas na Internet

brincadeiras perigosas na internet: dicas de tecnologia para pais

Recentemente, uma garotinha de apenas 7 anos morreu em casa, depois de tentar realizar o desafio do desodorante que ela viu no YouTube. A família, que achou que a menina estaria em segurança em casa, teve o pior susto de sua vida quando encontrou a garotinha desacordada.

Não é a primeira vez que esse tipo de acidente acontece. Aliás, nem sei se podemos chamar de acidente. Acidente é algo fortuito, que não conseguimos prever. Já esse tipo de incidente envolvendo desafios online e brincadeiras perigosas pode ser evitado. E o método mais eficaz para lidar com esse problema está aqui neste post.

YouTube Challenges: os desafios mais perigosos

A palavra desafio por si só já atrai os jovens, que buscam a aprovação do grupo ao qual desejam pertencer. Não é algo restrito à internet. Os desafios sempre existiram, eles apenas mudaram de lugar. O problema é que os pais não estão preparados para lidar com a vida digital dos filhos.

Invista alguns minutinhos do seu dia fazendo uma pesquisa rápida no YouTube sobre desafios. A quantidade de vídeos é absurda: desde vídeos alertando para os perigos até vídeos bem precários feito até dentro de escolas, onde achamos que nossos filhos estão protegidos desse tipo de perigo. Certamente você vai se deparar com alguns dos desafios a seguir.

Desafio do sal e gelo: Segurar sal e gelo nas mãos pelo maior tempo que conseguir. Risco de queimaduras graves.

Desafio do fogo: Derramar líquido inflamável sob partes do corpo e atear fogo. Risco de queimaduras graves e até morte.

Desafio do sabão: Ingerir sabão em barra, em pó ou os detergente em pods, como os de lava-louça. Risco de intoxicação.

Desafio da canela: Colocar a maior porção de canela na boca. Risco de asfixia.

Desafio do desodorante: Inalar desodorante para curtir o barato (a concentração de álcool é altíssima) ou suportar a sensação de congelamento numa área de pele. Risco de asfixia e parada cardíaca ao inalar, sem contar os danos cerebrais, e risco de queimaduras graves ao congelar a pele.

Desafio do desmaio: Provocar desmaio por asfixia ou pressão no peito para curtir a euforia ao voltar à consciência. Risco de parada cardiorrespiratória e de danos cerebrais irreversíveis.

Desafio do superbonder: Colar a boca ou outras partes do corpo com supercola. Risco de queimaduras químicas, intoxicação e ferimentos.

Desafio da camisinha: Encher uma camisinha com água e jogá-la sobre a cabeça, como se fosse um chapéu, cobrindo todo o rosto. Risco de asfixia.

Desafio de inalar: Inalar objetos, como fio dental. camisinha, balões, saquinhos plásticos, e retirá-los pela boca. Risco de aspiração de corpo estranho, podendo levar à obstrução do pulmão, com risco de morte e de infecção grave.

Desafio da coca-cola com mentos: Ingerir uma grande quantidade de coca-cola e ingerir mentos logo em seguida, gerando uma espuma que provoca vômito quase instantâneo. Risco de engasgamento.

Desafio do tubo: Colocar um objeto estranho ou até um inseto dentro de um tubo e dois participantes assopram as extremidades do tubo até o objeto ir parar na boca do outro. Risco de aspiração de corpo estranho, podendo levar à obstrução do pulmão, com risco de morte e de infecção grave.

Desafio da picada: Deixar ser picado por formigas, abelhas, marimbondos e até cobras. Risco de reação alérgica que pode levar à morte ou ser atingido por veneno que pode matar.

Desafio do palito de dente na unha: Inserir um palito de dente debaixo da unha. Risco de ferimento e infecção local, podendo levar à perda da unha ou até mesmo do dedo.

Desafio da esteira: Correr em altíssima velocidade na esteira ou correr trocando de roupa. Risco de queda grave.

Desafio da piscina: Inúmeros desafios que envolvam piscina, de mergulhos ingênuos a apneia. Risco de afogamento podendo levar à morte.

Desafio da pimenta: Ingerir uma grande quantidade de pimenta, das mais diferentes qualidades. Risco de reação alérgica, intoxicação, asfixia, hipotermia, que podem levar à morte.

Desafio da urtiga: Colocar a pele em contato com urtiga, na maior área possível. Risco de queimaduras graves e reação alérgica que pode ser fatal. 

A lista de desafios é infinita. A cada dia surgem novas modinhas. Fiz aqui uma lista apenas com algumas brincadeiras perigosas. Há muito mais por aí.

A dúvida que fica é: Como podemos proteger nossos filhos?

Como proteger jovens e crianças de brincadeiras perigosas na internet?

Numa conversa com a especialista em direito digital e diretora da Nethics (que educa pais, jovens e escolas sobre o uso seguro da web), Alessandra Borelli deu dicas importantíssimas de como proteger nossos filhos desses desafios perigosos. Uma delas é utilizar ferramentas de controle parental para bloquear canais que abordem esses desafios de  maneira perigosa. O YouTube é uma ferramenta bastante acessível e fácil de utilizar, mas existem mais opções para bloqueio de conteúdo na web. Outra sugestão é limitar o uso com atividades criativas.

Entretanto a especialista alerta para uma questão MUITO importante: a gente consegue fazer o bloqueio de vídeos impróprios (veja aqui como fazer) nos aparelhos de casa, mas nem sempre o do amigo, da escola, da casa da vó está bloqueado, e aí o conteúdo é acessado. Mesmo assim, a criança pode não ter acesso, mas o coleguinha teve, e pode passar o desafio sem ser pela web. Já há muitos casos de famílias que relataram o desafio do desodorante por crianças que não tinham acesso ao YouTube, mas que ficaram sabendo por outros colegas.

Por isso, a especialista da Nethics alerta que a melhor ferramenta é exercitar o pensamento crítico de crianças e jovens sobre os riscos desses desafios e brincadeiras perigosas. É estar junto da criança quando ela estiver assistindo a vídeos e, quando encontrar um conteúdo que possa ser prejudicial, mostrar os riscos. É acessar o histórico de vídeos assistidos com frequência e conversar sobre os temas abordados. E não adianta os pais terem medo de falar sobre o tema em casa. “Se o filho está apto para navegar na internet e ver vídeo no YouTube, ele tem que estar preparado para conversar sobre isso tudo”, ressalta.

Por mais que bloqueios e apps de controle parental vetem esse tipo de conteúdo, a proibição nunca é o melhor caminho. O diálogo, a navegação aberta e a supervisão dos pais são sempre a melhor escolha. Quando seu filho vai andar na rua, você pode até segurá-lo pela mão ou amarrá-lo numa cordinha. Mas aos poucos é preciso explicar os perigos da rua, ir soltando aos poucos e supervisionar até que ele esteja pronto para caminhar sozinho. Na internet é a mesma coisa!

E engana-se quem pensa que as escolas estão prontas para lidar com esse assunto. A grande maioria das instituições educacionais ainda estão aprendendo a lidar com o envolvimento social dos alunos com a tecnologia, assim como as famílias. Por isso é importantíssimo que os pais conversem sobre a postura da escola nesse sentido, e verifiquem que tipo de base a escola oferece. A Nethics é uma empresa que ajuda escolas e pais a navegarem e oferecerem uma internet segura para crianças e adolescentes, com materiais e equipe de apoio e treinamento. A parceria da Nethics com o blog diiirce é uma iniciativa de deixar pais e educadores cada vez mais preparados para a vida digital. Conheça mais sobre a Nethics: www.nethicsedu.com.br e veja outros posts da coluna Conectados aqui no blog.

 

 

 

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