A pedagogia na palma da mão

Palmada agora é crime.

Se isso fosse há uns anos, meus pais estariam pagando serviços à comunidade simplesmente porque EU os desobedeci. Como eu, uma criança na época, reagiria? Sentiria-me dona da situação ou culpada por causar certo dano a meus pais?

Espancar, humilhar, submeter uma criança a torturas físicas e psicológicas já é um crime previsto em lei. Mas qual o limite em que um tapinha vira uma agressão? Deve ser por isso que a tal palmada foi proibida.

Agora nós, pais, devemos utilizar outras técnicas pedagógicas para educar nossos filhos. Para quem tem acesso à informação é ótimo. Agora imagine aquela familiazinha miserável, no sertão do Piauí, sem acesso a água potável. Não precisa ir tão longe, não. Quantos de nós não conhece uma pessoa que não se informa sobre educação e tem como base apenas a educação que recebeu de seus pais? Para nossos pais e para muitos ainda a palmada é pedagógica.

E tem mais: Pais que já tentaram de tantas outras formas bloquear um mau comportamento, mas que ainda não descobriram que forma de punição atinge seu filho (porque isso não é fácil! Algumas crianças não ligam de ficar no cantinho do pensamento ou não sentem se lhe tirarem determinado brinquedo). Não pode dar um tapa no bumbum. E aí? Pais sem autoridade, filhos sem limites…

Não sou a favor da palmada!

Acredito em outros meios de educação, mas dizer que isso é um crime é interferir demais na dinâmica das famílias. É castrar a autonomia de alguns pais. É invadir a privacidade.

O caso de uma agressão física ou qualquer outro tipo de punição que gere sofrimento à criança ser considerado crime é um tanto contraditório. Seu filho quer bala antes do jantar, você não dá. Seu filho chora, você insiste no não. Ele se debate, se joga no chão, grita e chora, chora muito. Vem cá: essa criança está sendo punida e com sofrimento, não está? É crime?

Essa linha tênue que separa a autoridade conquistada da imposição dos desejos dos pais é que causa tanta discrepância de opiniões.

Pelo menos a lei serviu de alguma coisa: refletir sobre como educamos nossos filhos.

E você: já bateu no seu filho?

Check Also

Todos Pela Educação: Mamães muito mais informadas

O blog diiirce agora é parceiro do movimento Todos Pela Educação, e quem sai ganhando …

11 comments

  1. Perfeito!

    Eu não bato no meu filho, mas essa lei para mim é tão fora da realidade, pq como vc mesmo disse, tem pessoas que não sabem educar de outra forma pq não tem acesso a outros meios, pq acha que foi educado assim e deve seguir fazendo o mesmo.

    Sinceridade não aprovo essa lei.

    Beijos,
    Ana Carolina

    • Pois é! Não culpo quem bate nos filhos. A questão é que isso deveria ser uma campanha pela reflexão, com instrução, educação, e não lei logo de cara.

      Mas é Brasil, né?

      Jokas da Mi

  2. Já dei palmadas e to muito errada nisso. Ter apanhado na infancia nao é desculpa para bater e eu não apanhei. Quem bate e se descontrola tem q se tratar. Eu faço isso pq sei q não se educa assim. Bater ensina aos pequenos q na falta de argumentos, nas frustrações, a gente desconta no + fraco. Ja dei palmadinha, mas nunca surra, se bem que a diferença é a força. Nao é fácil admitir, mas muita gente faz e nao assume. Isso não me faz certa, mas to cada vez + me controlando.

    • E qual o limite em que um tapa vira agressão? Qual o limite da força?
      E os pais q não sabem mais o q fazer p educar? Perdem a autoridade e pronto?
      Acho q é caso mais para campanhas de orientação do que lei propriamente dita.
      Tb não bato, mas já bati. Foi o último recurso. E não gostei.
      Difícil, né?

      Jokas da Mi

  3. Dói mais na mãe o tapinha do q neles. Descontroke todo ser humano ta sujeito, mad pir isso q tem q se cuidar, quando se tem a noção de q está errado.

  4. Então Milene, concordo com exatamente tudo o que vc disse… Vejo essa questão “Palmadas” como somente campanhas de orientação tbm. Me sinto invadida com a lei e mais ainda com a forma como as pessoas colocam. Não vou negar, em ultimo caso, muito raramente, uso sim deste artifício com a Malu, palmada. Mas garanto a vcs, dói muito mais em mim do que nela, pois apesar da palmada ser leve e no bumbum, ela fica SUPER sentida, pois não é comum eu fzr isso e chora…dói em mim? dói, mas fica a certeza de que foi o último recurso pra ela, minha filha, ser repreendida e entender limites com não entendeu com “Não” ou castigo. E tenho certeza que não preciso de tratamento ou que eu seja frustrada como mãe. Sou tranquila, tenho paciência, trabalho fora dia inteiro por elas, e qd me utilizo deste recurso, é porque AMO e mais ainda, porque aqui sou pai e mãe o que no caso fica remetido a mim a educação total cotidiana. Eu queria que as pessoas enxergassem essa questão com menos extremismo e generalizassem menos, mas infelizmente não é isso que tenho visto por aí!
    Parabéns pela sua posição e pelo excelente texto!
    Beijão no filhote e na barriguinha linda!

    • Rafa, realmente, o extremismo c q as pessoas estão levando essa história é q é complicado.
      E ninguém parou para pensar nas crianças, né? Como elas vão se sentir se um pai ou uma mãe que apelou para a palmada tiver q cumprir uma pena?
      Jokas da Mi

  5. Concordo plenamente!!
    Não sou a favor de bater, mas sou contra a lei.
    E só uma correçãozinha, que eu sei que você deixa. Ainda não é crime. A lei foi aprovada na Câmara, ainda vai pro Senado pra depois ser sancionada. Só aí ela entra em vigor e passará a ser crime.
    Beijos

  6. Concordo super com vc, Milene. Pra mim essa lei – como muitas outras coisas no Brasil – é uma cópia mal feita do que existe nos EUA. Lá, uma criancinha de 3 anos não pode beijar outra porque já é assédio sexual. Ou uma palmadinha no bumbum vira um processo que pode afastar o filho dos pais.
    Vale a reflexão. Eu já dei palmadinhas na minha filha sim, admito o meu descontrole. Mas acho que ela sofreu mais nos ataques de birra em que a ignorei, deixando-a chorar até cansar. Ela passou por uma fase muuuuito difícil, pois além dos ataques de birra diários, ainda acordava à noite, o que me deixava em frangalhos.
    Não me orgulho do meu descontrole, mas sei que a minha consciência do que é boa educação e a noção que tenho da imensa responsabilidade que isso significa me eximem da culpa pelas palmadinhas.
    Enfim, cada família é uma, faz suas escolhas e arca com as consequências. Certamente não é uma lei que vai mudar essas coisas.

    • Cris, acho q antes de virar lei, era preciso instruir os pais para essa nova educação. Creio que muitos pais brasileiros não têm acesso à informação de qualidade para poder refletir sobre a educação dos filhos e outros tipos de punição. E com tanto processo importante embolorando na justiça desse país, você acha que realmente algum pai será indiciado por uma palmada? (leia-se palmada, e não surra, embora eu ache q essa diferença é um tanto quanto contraditória).
      Jokas da Mi diiirce

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: